

CONDUTA DE RISCO é o nome do filme do estreante Tony Gilroy. O diretor americano, de Nova York, pode não ser conhecido, apesar de ter escrito os roteiros dos três sucessos da série “Bourne”. Mas seu ator George Clooney, melhor a cada filme, todos conhecem. Coisas do star system... Desta vez Tony Gilroy escreve e caprichou no roteiro do próprio filme. Americano quando quer mostrar cultura no cinema, faz homenagem aos seus filmes B, às produções baratas dos anos 40 e 50 que depois foram cultuados pelos franceses, batizados e reunidos sob a chancela de "film noir". Um dos ícones dos filmes "noir" era o fabuloso Humphrey Bogart, um ator que pensava em cena e fazia o espectador pensar com ele nem que fosse para resolver a charada de um crime banal. George Clooney, como um Humphrey Bogart repete o mito e sustenta o mistério de QUESTÃO DE HONRA até a cena final do filme.
CONDUTA DE RISCO fala de corrupção em uma grande corporação agroquímica. Como ninguém faz corrupção sozinho, a corporação conta com uma sofisticada rede de conivências. Menos de um advogado em crise, que cruza o caminho de seus interesses milionários. O advogado é escalado para abafar o aparente acesso de loucura de um ex-dirigente da corporação, mas com ele percorremos tortuosos caminhos fragmentados por uma bela narrativa em flashbacks. O filme é bom. Principalmente porque você sai dele e a vontade que dá é continuar o prazer com um velho filme ‘noir’ original, com ou sem Bogart.
Spoiler Rating: 88
LBC Rating: 66
Por Leon Cakoff (Mostra SP)


Wes Anderson volta a cantar a canção de uma família de excêntricos como em THE ROYAL TENENBAUMS, narrando a viagem de três irmãos pela Índia em busca da mãe, metida a monja (Anjelica Huston), e tratando de recuperar no caminho a irmandade perdida. Owen Wilson, Adrien Brody e Jason Schwartzman são os três irmãos em questão, cujo ponto em comum é serem ligeiramente calados, paranóicos e pouco dotados para a vida social.
Selecionado pela mostra Orizzonti, do recente Festival de Veneza, COCHOCHI é o primeiro longa de dois novos diretores mexicanos, Laura Amélia Guzmán e Israel Cárdenas, o que o habilita a concorrer ao prêmio Bandeira Paulista, de melhor filme da 31ª Mostra. Não se admire se isso ocorrer. COCHOCHI é um filme produzido pela Canana, empresa criada pelos atores Gael García Bernal e Diego Luna para incentivar os talentos da nova geração do cinema do México.
O cineasta britânico Peter Greenaway disse, nesta quinta-feira, em Veneza que é um realizador "mainstream". "Se assim não fosse, como explicar as 30 milhões de pessoas em todo o mundo que viram O COZINHEIRO, O LADRÃO, SUA MULHER E O AMANTE? Não é uma cifra como de Spielberg ou de Scorsese, claro, mas é bem respeitável para a indústria do cinema e não tem muito a ver com o rótulo da produção independente", lembrou.
EN LA CIUDAD DE SYLVIA foi o filme mais autoral e exigente exibido em Veneza, e o público que ia se habituando aos gêneros e apelo fácil de Hollywood se mostrou atento e interessado na proposta de Guerin.
O que mais impressiona em ANDARILHO de Cao Guimarães é sua clarividência. É um filme racional, arquitetado, concreto. Joga com a ambivalência de sentidos. De um lado a fluidez da fotografia que dilui a paisagem dura das estradas, da luzes dos carros, do calor do sol, de outro a rigidez e a precisão do plano, estudado, desenhado, plástico, entrecortado para a existência daqueles personagens.
"Os seres humanos não são fórmulas matemática, não são só razão", afirma um dos personagens no filme "Tai Yang Zhao Chang Sheng Qi" ("O Sol Também se Levanta"), dirigido pelo chinês Jiang Wen.
Dirigido por Richard Shepard, diretor de O MATADOR (2005), a trama tem como pano de fundo o embate envolvendo os criminosos Radovan Karadzic e Ratko Mladic, durante a guerra civil entre Sérvia e Bósnia. 
Em 2006, seu EM BUSCA DA VIDA tinha o risco de não ficar pronto a tempo. A opção do Festival de Veneza foi então anunciar o filme de Jia Zhang-Ke em competição sem anunciá-lo, como filme surpresa. Foi exibido e merecidamente levou o Leão de Ouro. Temos agora do mais festejado cineasta asiático o novo filme USELESS/ INÚTIL.
Parece que IL DOLCE E L´AMARO, de Andrea Porporati, não agradou ao público no Lido. Não se ouviu um único aplauso na sessão de imprensa, embora também tenha sido poupado de vaias. E nem seria o caso de vaiar, pois se trata, pelo menos, de um filme digno. O problema é ser convencional demais.
HELP ME EROS é uma tremenda pedida de ajuda ao deus do amor. Amor, seja lá o que isso significa, o que é uma das perguntas desse filme desesperado, radical, às vezes francamente desagradável, mas que não sai da cabeça depois de visto.
I´M NOT THERE é um projeto cercado de grande expectativa, tanto pelo gigantismo de seu tema (uma cinebiografia de Bob Dylan) quanto pela originalidade da proposta (seis atores interpretam fases e aspectos diferentes da vida do cantor e compositor). E o resultado mostra que a proposta não era puro exibicionismo, e sim a evolução natural de um cinema que procura comungar pesquisa de linguagem e um certo grau de comunicação, que não encerre o filme em um nicho fechado.
O neo-realismo, para Abdelladif Kechiche, é um prato de cuscuz preparado em família, enquanto se fala bem e mal dos outros, ri-se, briga-se, discute-se e chora-se. "Le Graine e le Mulet", que o diretor tunisiano levou à competição em Veneza, já com a promessa do Leão de Ouro, muito aplaudido pela imprensa, abre a porta da casa de uma família de origem árabe que vive na França e aponta o foco sobre os imigrantes para descrever seus ritos sem clichês, como aquele do cuscuz, que dá título ao filme.
Aos 87 anos, Rohmer não veio defender pessoalmente OS AMORES DE ASTRÉE E CELADON (LES AMOURS D´ASTRÉE ET CELADON, seu 27º longa-metragem), mas mandou uma mensagem justificando a ausência: "Veneza já honrou muitos de meus filmes [...]. Já recebi até um Leão de Ouro especial pelo conjunto de minha obra. Mas não quero que ninguém pense que vou começar uma criação de leões. Apenas meu precário estado de saúde me impede de estar com vocês para acompanhar Astrée e Céladon, levados a Veneza pelo vento que eu gosto tanto de filmar, e que talvez sintam passar pela laguna".
A culpa e o remorso são predominantes no segundo filme do diretor da Nova Zelândia Andrew Dominik, de 40, co-produzido e protagonizado por Brad Pitt, que interpreta o bandido Jesse James, em THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES BY THE COWARD ROBERT FORD. O filme, que concorreu com outras 22 produções pelo Leão de Ouro, descreve a relação que vai se criando entre o célebre bandido, visto como um herói por alguns, por roubar dos ricos para distribuir entre os pobres, e seus comparsas, com os quais se comporta como um tirano.

