6.2.08

O Poderoso Chefão


O PODEROSO CHEFÃO trata da saga da família Siciliana dos Corleones que emigraram para a América. Na Primeira parte, Don Corleone está velho e preocupado com a sucessão de seu império entre os filhos. Na Segunda parte, Michael assumiu os negócios com a morte do irmão mas tem problemas com a abertura para o tráfico de drogas enquanto também se conta a história da chegada do pai à América e seu primeiro envolvimento com a Organização. Na Terceira, agora é Michael que pensa na sucessão familiar, retornando para sua terra na Sicília e pensando num sobrinho como herdeiro.

Ficaram lendárias as histórias por trás do GODFATHER, as pressões que Coppola sofreu por parte do produtor Robert Evans, que não desejava aceitar suas escolhas no elenco. Al Pacino era um desconhecido, James Caan por demais judeu para fazer um italiano e a carreira de Marlon Brando na época estava em plena decadência. Mas ele queria tanto o papel que aceitou fazer um teste, colocando algodão nas bochechas, e convenceu todo mundo que ele era a pessoa ideal para interpretar Don Corleone, o Grande Capo.

Outro problema foi a fotografia de Gordon Willis, que era considerada tão escura que nem sequer foi indicada ao Oscar. Mas Coppola sempre teve uma personalidade de chefão (cá entre nós, não houve um momento vendo esta saga em que você achou que estavam até fazendo propaganda da Máfia? Ou ao menos era "a favor" dela?) e foi capaz de impor suas vontades, inclusive em casos flagrantes de nepotismo.

No papel da filha de Brando, está sua irmã Talia Shire, o sobrenome veio do casamento dela com o compositor David Shire. Na trilha musical assinada pelo "felliniano" Nino Rota teve a ajuda do pai maestro dele, Carmine Coppola, que no segundo filme já assumiu toda a responsabilidade. E no terceiro filme, quando Winona Ryder ficou doente, ele colocou no papel a própria filha Sofia Coppola, feia e péssima atriz, que praticamente derrubou o filme. Em compensação, mais tarde, ela demonstrou grande talento como diretora em AS VIRGENS SUICIDAS e ENCONTROS E DESENCONTROS.

O primeiro "Chefão" ganhou apenas Oscars de filme, roteiro e ator para Marlon Brando (que recusou o prêmio, mandando uma índia receber por ele, em protesto ao tratamento que o povo americano deu aos índios em toda sua história). Mas fez história quando dois anos depois fizeram uma continuação tão boa quanto a primeira e que também levou o Oscar de melhor filme, caso único na história, ou pelo menos até 2003 com O SENHOR DOS ANÉIS.

Além de (novamente) roteiro, direção, trilha musical e ator coadjuvante, para Robert De Niro, que está brilhante fazendo o papel de Marlon Brando jovem, copiando seu jeitão, falando muito italiano mas sem nunca cair em caricatura (única vez em que dois atores ganharam Oscar fazendo o mesmo personagem). Os três filmes do "Chefão" foram reunidos numa única edição em DVD.

Aliás, eles foram os primeiros filmes do cinema moderno a utilizar o "Segunda Parte", "Terceira Parte" (não obviamente o Primeiro porque não se sabia que a fita seria sucesso e teria continuações). Antes eram usados recursos como "A Volta" ou "O Retorno de..." Isso porque a trilogia foi escrita, concebida e dirigida por um mesmo homem: Francis Ford Coppola.

O grande achado do roteiro de Coppola é ter mostrado a Máfia como uma grande empresa familiar que tem que se transformar. Ele tinha uma tese: todo "Big Business", todo capitalismo no fundo é uma espécie de Máfia. Ou seja, no fundo o filme é uma grande alegoria do capitalismo selvagem norte-americano, que é capaz de tudo, até de matar, para ganhar dinheiro.

É uma tese sem dúvida discutível mas fascinante que fez com que todo homem de negócios visse a fita com outros olhos. No primeiro capítulo, o que impressiona é que para os excessos de Brando, há a discrição de Pacino. A seqüência de tiroteio no restaurante é realmente espetacular. E mesmo a violência da fita parece justificada. E a porta se fechando na cena final é perfeita.

O segundo filme contava as duas tramas paralelas, a da chegada do jovem Corleone à América e como Michael (Al Pacino) consolidou seu poder. Um dos atores que fazia o irmão dele (John Cazale), que interpreta o traidor naquela altura, já sofria de um caso avançado de câncer que logo o mataria. O terceiro "Chefão" já não foi tão brilhante, veio bem mais tarde, em 1990, e Pacino já fazia um chefão cansado, separado da mulher (Diane Keaton) e passando o poder para o sobrinho (Andy Garcia).

Era a mesma equipe, teve várias indicações ao Oscar mas não levou nenhum. Foi o final apenas mediano de uma Saga fascinante, que transcende às meras convenções do gênero policial.

O PODEROSO CHEFÃO - PARTE I
Spoiler Rating: 91
LBC Rating: ~


O PODEROSO CHEFÃO - PARTE II
Spoiler Rating: 90
LBC Rating: ~


O PODEROSO CHEFÃO - PARTE III
Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~

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