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Se Mike Leigh somou alguma coisa a essa tradição, sua maior contribuição encontra-se, possivelmente, em seu método de direção de atores. O que se sabe é que o diretor trabalha cada ator em separado, construindo a condição emocional e psíquica do personagem a partir dos dados pessoais dos atores. Vem daí talvez a tendência depressiva de seus filmes.
Tendência que, em AGORA OU NUNCA, chega ao paroxismo. Timothy Spall (SEGREDOS E MENTIRAS), de rosto incrivelmente abatido e castigado, faz Phil, um taciturno taxista que já não é o arrimo da família. Sua depressão reflete-se em seus familiares no rosto igualmente abatido da mulher, na timidez soturna da filha e no tédio agressivo do filho. A família, de baixa classe média, mora em um conjunto habitacional suburbano povoado por tipos vulgares e mal-humorados, surtados ou a caminho de (mais) um surto.
É nessa prisão domiciliar que Leigh nos instala. Não há nenhuma saída -os proletários do "free cinema" ainda tinham alguma poesia. Leigh retrata seus personagens como vítimas do meio em que vivem talvez para nos fazer experimentar um pouco dessa condição. O problema de seu naturalismo é que não combina com seu método. A verdade dos atores transcende o papel social em que são encerrados os personagens.
Mas os fins talvez justifiquem os meios: é possível que Leigh só promova a humilhação social dos personagens com o intento de precipitá-los em crise, momento em que as limitações são superadas. Nas cenas de crise, o método de Leigh revela a sua eficácia -"Segredos e Mentiras" já o provava. Não são apenas os personagens que ganham novas dimensões, tomando movimento. É o próprio autor que na crise se revela, ao conseguir finalmente casar a verdade dos personagens com a verdade dos atores
Spoiler Rating: 73
LBC Rating: ~
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