Braddock existiu. Pugilista promissor em 1929, perdeu o pé na carreira e, durante a depressão econômica dos anos 30, foi reduzido quase à indigência, trabalhando nas docas de Nova York para alimentar (mal) a família. Chegou a mendigar, passando o chapéu entre antigos amigos da fase de opulência. No desespero, conseguiu uma luta, e ganhou. Subiu de novo, contra tudo e todos. Virou a esperança dos miseráveis dos EUA, culminando na luta do título.
Cabem, a propósito de A LUTA PELA ESPERANÇA , diversos adjetivos aplicáveis a Howard - intenso, brutal, apelativo, sentimental, eficiente, manipulador. Todos, menos elegante, porque a elegância pressupõe outra coisa que não as cenas dolorosas em que o pai jura ao filho que a família não vai se separar jamais ou a outra em que Braddock briga com a mulher porque ela, sem saber, quebrou a promessa dele. Tudo converge para a luta e o espectador que não conhece a história de Braddock chega a duvidar se ele conseguirá ganhar, até porque a grandeza dos derrotados é um tema de John Ford ao qual o diretor é sensível. Howard não é um grande cineasta, mas às vezes supera as próprias limitações. A luta é de uma brutalidade estarrecedora, e muito bem filmada, além de tecnicamente perfeita como assegura o especialista do Estado na cobertura da área, Wilson Baldini Jr. E existem os atores.
Howard, talvez por ter sido ator, sabe dirigir seus elencos para atuações memoráveis. Russell Crowe é magnífico e você poderá perguntar qual é a novidade, já que ele é sempre ótimo. Arrogante na vitória do começo, quando passeia soberbo pelo ringue, ele transmite o porquê de Jim Braddock ter sido um lutador tão obstinado. Quando cai no ringue e vê os descamisados ou pensa na família, é como Cabíria, nas noites fellinianas, tocando o solo para se reerguer com mais força. Tão boa quanto Crowe é Renee Zellweger, como a mulher que vence o próprio medo para apoiar o homem amado. É uma linda história de amor.
Spoiler Rating: 92
LBC Rating: 38
Por Elaine Lipworth (The Independent), Daniela Creamer (El Pais) e Luis Carlos Merten (Estadão)


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