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9.2.08

Os Infiltrados


Em OS INFILTRADOS, Scorsese trabalha com uma história dupla: Collin Sullivan (Matt Damon) é um informante do chefão da Máfia de Boston, Costello (Jack Nicholson), infiltrado na polícia. De outro lado, Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) vê-se em situação inversa. Forja-se um crime que justificaria a sua expulsão da polícia e, logo em seguida, ele se vê integrado à gangue. Na verdade, é um informante da polícia, plantado junto a Costello. Os Infiltrados é, portanto, uma história de lealdades e traições. De agentes duplos que têm de fingir ser o contrário do que são. Mas que, fingindo, descobrem que os dois extremos curiosamente se tocam, e em mais de um ponto.

A estratégia de Scorsese não é dizer que não existem fronteiras entre a lei e o crime, posição tão niilista quanto simplificadora. Mas é discutir onde estão os limites entre um domínio e outro e por que motivo eles parecem se interpenetrar mais de uma vez. Por outro lado, existe um substrato que costuma borrar e confundir essas fronteiras móveis - a violência que aparece na base de formação da sociedade americana, talvez mais do que em outras. Esse tema, que aparecia com tanta clareza em Gangues de Nova York (e talvez uma das fraquezas deste filme estaria em explicitá-lo tanto), é lido aqui nas ações cotidianas dos seus personagens. A certa altura, alguém diz: 'Neste país parece que todos se odeiam' e com esta frase define-se o espírito da coisa.

Scorsese não precisa fazer sociologia, ou mesmo buscar explicações muito profundas para entender que, quando se elege a competição como motor principal da vida em sociedade, a violência surge como decorrência natural. Aceitando-se um termo da equação será preciso aceitar outro. Isso sabemos. O grande cinema, como o de Scorsese, tem o dom de dramatizar a constatação óbvia. Torná-la narrativamente convincente e emocionalmente impactante.

Spoiler Rating: 91
LBC Rating: ~

Crash


Alguns podem dizer que esta produção traz alguns resquícios de MAGNÓLIA (1999), elogiado filme de Paul Thomas Anderson, o que é bem verdade. Mas CRASH, com seus personagens transpirando conflitos, questionando dogmas, ética e moral, tem irreverência e qualidade de sobra para andar com as próprias pernas sem ser comparado com qualquer outro filme.

A questão do racismo é complexa e sua abordagem no filme pode soar agressiva em primeira instância, mas é analisada com um realismo e coragem impressionantes, somando mais pontos a CRASH, seja junto aos negros americanos, como os latinos ou árabes - principalmente após os fatos acontecidos após 11 de setembro. O preconceito acaba sendo um tema incessantemente abordado durante toda a película, que marca a estréia do canadense Paul Haggis - roteirista do premiado MENINA DE OURO (2004) - na direção.

Haggis trabalha com esperteza a insegurança e o olhar superficial que se tem ao viver em uma metrópole como Los Angeles. A história, escrita pelo diretor em parceria com Bobby Moresco, não mostra um retrato maniqueísta da realidade. Não há culpados, nem vítimas: todos estão à mercê do medo e da imprevisibilidade. O cineasta usa a superficialidade das relações na era moderna para despejar personagens em busca de sentidos e emoções, nem que para isso seja preciso um violento esbarrão no trânsito.

A narrativa começa em um desses acidentes de trânsito. A partir daí, são mostradas as 36 horas que antecedem o momento da tragédia. Entram no contexto do enredo Jean (Sandra Bullock), uma dona de casa egocêntrica, e seu marido Rick (Brandan Fraser), um influente promotor público; Graham (Don Cheadle) e Ria (Jennifer Esposito), um casal de detetives avessos à corrupção; o renomado diretor de televisão Cameron (Terrance Howard) e Christine (Thandie Newton), sua esposa; Daniel (Michael Pena), um chaveiro mexicano; Farhad (Shaun Toub), um lojista persa desmiolado; Peter (Larenz Tate) e Anthony (Chris "Ludracris" Bridges), dois ladrões de carros da periferia; e Tom Hansen (Ryan Phillippe), um policial novato aprendendo as lições da rua com Ryan (Matt Dillon), um veterano racista. Suas histórias são entrelaçadas em uma montagem flexível e empolgante.

A atuação do elenco é excelente, representando convincentemente os papéis difíceis reservados, desde os atores menos conhecidos até os medalhões como Sandra Bullock, Brendan Fraser, Matt Dillon, Ryan Phillippe e Don Cheadle. Afinal, não são apresentados protagonistas. Todos os personagens são obrigados a integrar e interpretar o balaio da discórdia.

Um brilhante debut de Paul Haggis, fazendo muito com pouco orçamento (US$ 6,5 milhões), CRASH entra seguramente, e com folga, na lista de melhores filmes de 2005.

Spoiler Rating: 88
LBC Rating: 48

Menina de Ouro


Não sou especial admirador de Clint Eastwood como diretor, faço restrições a muitos de seus filmes que parecem ter sido feitos às pressas, de forma descuidada e com muitas cenas escuras. Mesmo SOBRE MENINOS E LOBOS não achei nada de especial, apesar do delírio da crítica americana. Pois agora eles elogiaram mais ainda este MENINA DE OURO, indicado a sete Oscar e vencedor de 4: Melhor Filme, Diretor, Atriz (Hilary Swank) e Ator Coadjuvante (Morgan Freeman).

MENINA DE OURO é até um filme relativamente pequeno e modesto. Como a maior parte da crítica, não vou contar toda a história e estragar a surpresa do enredo. Basta dizer que não é uma versão feminina de ROCKY. É um filme pesado, humano, trágico e, por isso mesmo, possivelmente o que Eastwood fez de melhor em toda sua longa carreira.

Aqui, a discrição, sua marca registrada, é muito bem-vinda e eleva o filme para algo mais do que uma mera história de boxe feminino.

Já houve uns poucos outros filmes sobre o tema, mas o bom de MENINA DE OURO é que tudo é feito com a maior dignidade, sem demagogia, sensacionalismo ou exageros.

Eastwood faz um velho treinador - muito envelhecido, também melhor ator do que nunca - que, com relutância, aceita treinar uma garota ambiciosa, Hilary Swank, que depois do Oscar de MENINOS NÃO CHORAM finalmente voltou a acertar; não está nem mesmo masculinizada demais. Ele é ajudado por outro veterano, que se torna o narrador da história, Morgan Freeman, num papel que pode lhe render o Oscar de ator coadjuvante.

Juntos eles se tornam amigos e fazem uma boa carreira até chegar a vencer o campeonato. E mais não digo. Basta ressaltar como se evita o dramalhão, como no conflito com a família vulgar e pobre, que deseja apenas se aproveitar da boxeadora e quer ficar com o dinheiro, sem ao menos disfarçar a desaprovação pela escolha dela.

E a amizade do velho com a moça é feita com muita ternura e delicadeza. O único problema que vejo no filme é comercial, já que parece ser "filme de homem", quando na verdade é "de mulher"; Precisou mesmo dos prêmios para ser mais bem vendido e apreciado. E também merece o prestígio que conseguiu.

Spoiler Rating: 90
LBC Rating: 83

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei


Quando nos foi apresentado a visão de Peter Jackson para a Terra Média e os acontecimentos de O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL; Ficamos fascinados... Assistimos à perfeição com que foram reproduzidas a casa de Bilbo e a festa de seu aniversário, assim como entristecemos com a exclusão do trecho sobre Tom Bombadil.

Em AS DUAS TORRES, comprovamos que o diretor sabe muito bem como fazer cenas de guerra, apesar de contermos a risada com algumas habilidades exageradas de Legolas, como "surfar" em um escudo.

Agora, no último e maior dos filmes (com três horas e 20 minutos!), descobre-se que este é o menos cansativo da trilogia e, principalmente: O melhor dos três. Pudera... Nele, tudo se conclui, mantendo o público ligado à tela. E a expectativa, para quem leu o filme, reflete-se em como o diretor conduziu o final da história, tão conhecido sob a pena de Tolkien.

Em se tratando de adaptações, o que era esperado aconteceu. Saruman foi excluído dO RETORNO DO REI, mas as brechas foram bem preenchidas e o vilão não faz falta para quem não conhece o texto original. Aos leitores do livro, leves contorções na cadeira foram previstas, mas nada que os impeça de se maravilharem com a obra, ainda mais porque as soluções dadas para essa e outras partes eliminadas foram palpáveis.

Assim como os dois primeiros, este mantém o primor em direção de arte, de fotografia e de som, efeitos visuais e especiais, que renderam muitas referências e prêmios aos seus antecessores. Destaque para a transfiguração de Frodo, muito mais desgastado pelo fardo que carrega e pelo difícil caminho nas terras de Mordor.

Sem dúvida, os pontos altos são os das batalhas, principalmente as realizadas nos campos do Pelennor. Com muita ação e ótima condução de câmera, nos leva lado-a-lado aos combatentes em meio à luta, em seqüências de tirar o fôlego.

Os cortes que intercalam a jornada de Frodo com a dos outros heróis estão mais suavesdo que os do segundo filme, não deixando o público furioso com interrupções em momentos decisivos.

Após três anos, a versão para os cinemas ainda impressiona pela perfeição com que reproduz Minas Tirith e suas cidadelas. Não incomoda tanto a liberdade tomada pelo roteiro ao transformar e retirar ou acrescentar trechos na história, com modificações que deram certo, acompanhadas de outras talvez não tão necessárias.

O sucesso dO SENHOR DOS ANÉIS em condições tão adversas (basta se ver a quantidade de erros e fracassos que Hollywood produz a cada ano), adaptando uma obra tão difícil e monumental, é realmente algo a ser louvado e celebrado. Tanto que certamente os fãs, antigos e novos, ainda vão querer assistir às outras edições (por uns anos ainda teremos filhos dele, até um dia chegar a um único filme unindo os três episódios).

É curioso como se tem menos a dizer quando se gosta de um filme. Malhar é até mais fácil. De qualquer forma, O SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI é uma perfeita conclusão para uma grande trilogia.

Spoiler Rating: 95
LBC Rating: ~

Chicago


CHICAGO seguiu MOULIN ROUGE na revitalização dos musicais. Não é tão radical nem tão ousado quanto MOULIN ROUGE. E por isso fez mais sucesso e escandalizou menos. Francamente, tirando MOULIN ROUGE, que é um caso a parte, é um dos melhores musicais em muitos anos, talvez desde CABARET.

A referência ao filme de Bob Fosse é proposital, já que foi ele quem criou a montagem original nos anos 1970 com Chita Rivera (surpresa, ela faz uma pequena pontinha na fita como homenagem a única sobrevivente do original) e Gwen Verdon (que era a Sra. Fosse na época). Não foi um grande sucesso nem fracasso, apenas médio na época, talvez porque as pessoas não estivessem preparadas para entender o que era basicamente uma sátira ao sistema judicial americano (é bom lembrar que, por sua vez, o musical CHICAGO, composto por Ebb e Kander, a mesma dupla que criou CABARET, foi inspirado num filme chamado ROXIE HART, do começo dos anos 1940, de William Wellman, com Ginger Rogers.

Qualquer um que conhece melhor a cultura americana sabe muito bem que tudo nela é show. Aparência, performance, competição e nunca substância, conteúdo. No sistema judiciário, a palhaçada é ainda mais chocante. Claro que o filme, embora trate de coisas sérias, não tem pretensões de pregar moral. É tudo na base da ironia, ao mostrar como a jovem Roxie (Renée Zellweger) mata o amante que a enganava e vai para a cadeia, onde fica aprendendo que é preciso ter um bom advogado (e procura então o melhor deles, o mais vigarista, feito por Richard Gere) e se dar bem com a carcereira (Queen Latifah, ótima, que pelo papel concorreu ao Globo de Ouro e ao Oscar).

Em Chicago, na década de 30, tudo é uma questão de cair no gosto da imprensa, que promove a criminosa como se fosse uma estrela. Foi o caso de Velma (Catherine Zeta Jones), que matou a irmã que a traía com o marido e naquele momento é a sensação da imprensa. Mas Velma perde seu momento quando chega Roxie e aprende, depressa, com a ajuda de seu marido transparente (John C . Reilly, outro grande ator, fazendo aqui a canção "Mr. Cellophane"). Claro que a fama corre o risco de acabar quando aparecer uma nova criminosa e uma outra novidade.

O filme tem um excelente roteiro de Bill Condon que acrescenta toques certos, aumentando o papel de Velma (que agora tem uma aparição surpresa no julgamento). Ela também diz uma frase genial, inédita, quando propõe uma parceria para Roxie e esta diz: "Mas eu te odeio!". Velma responde: "O show business é o único lugar onde isso não faz a menor diferença" - É, no show business e na política, faltou dizer.

Dirigido por um estreante, Rob Marshall (que era mais coreógrafo do que diretor na Broadway), o filme conseguiu resolver o problema de como transpor para a tela um show muito cantado e dançado, sem ficar chato. Ele simplesmente seguiu as lições de Fosse em CABARET: todas as canções ou sucedem num palco ou então são imaginárias, fantasiadas na cabeça de alguém, Ou seja, não-realistas. Ou comentam os fatos, ou os criticam, ou dão passagem para alguma situação. Portanto, nunca fica falso, fica inteligente. Ao sacar isso, Marshall finalmente conseguiu realizar o filme que estava há anos na geladeira como um projeto para Liza Minnelli e Goldie Hawn.

Spoiler Rating: 93
LBC Rating: ~

Uma Mente Brilhante


UMA MENTE BRILHANTE é um drama que tem justamente a cara de “filme que ganha Oscar”. Levou o Globo de Ouro de Melhor Filme, assim como os Oscars de Filme, Diretor (Ron Howard), Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly) e Roteiro Adaptado – e ainda indicado a Ator (Russel Crowe), Edição, Maquiagem e Trilha Musical.

Russel Crowe até merecia ganhar um novo Oscar, apesar de sua comprovada antipatia. Seu trabalho aqui é melhor que em GLADIADOR, compondo um tipo convincente, inteligente e misterioso. Ele interpreta John Forbes Nash Jr, cuja tese de Doutorado em Matemática, intitulada Nash Equilibrium, revolucionou o universo acadêmico com uma teoria que aplica jogos e relações de rivalidade na compreensão de questões econômicas complexas.

No enredo, depois de formular a sua tese, Nash passa a sofrer o assédio do serviço secreto norte-americano, ao mesmo tempo em que se envolve com Alicia (Jennifer Connelly). Apresentado ao misterioso agente William Parcher (Ed Harris), o matemático descobre que o seu dom de decifrar enigmas pode auxiliar no combate aos comunistas soviéticos. Arrogante – e brilhante – Nash entra no jogo, sem conhecer o risco real da empreitada.

O filme consegue envolver o espectador de tal maneira que entramos completamente na história e aceitamos o personagem. Quando temos a revelação do que seria a doença é um choque, mas também, como dizem os americanos, ''uma epifania'', ou seja, uma revelação, a chave para entender o filme.

UMA MENTE BRILHANTE certamente não é um grande filme. Mas é um bom filme que cumpre o que pretende. De forma limpa e extremamente competente. Seu Oscar não foi injustiça.

Spoiler Rating: 94
LBC Rating: ~

8.2.08

Gladiador


O que acontece quando se junta Steven Spielberg, Ridley Scott e muito dinheiro (US$ 103 milhões, para ser mais exato)? Resposta: GLADIADOR. Nas duas primeiras semanas em cartaz nos Estados Unidos, este épico de espadas e sandálias arrecadou mais de US$ 73,6 milhões.

O neozelandês Russell Crowe é o ator principal, interpretando Maximus Decimus Meridias, um general do exército romano muito querido pelos seus soldados, respeitado por seu povo e amado pelo seu Imperador, Marcus Aurelios (Richard Harris). Tudo o que ele queria era voltar para casa após a sangrenta batalha na Germânia. Porém, César - já muito velho e doente -, tem outros planos e o quer como novo governante do Império Romano. Quem não gosta nada da idéia é Commodus (Joaquin Phoenix), filho do Imperador, que mata seu pai para poder assumir o trono. Seu primeiro ato como novo César é mandar matar Maximus e sua amada esposa e filho.

Numa das inúmeras batalhas com espadas (todas muito bem coreografadas por Nicholas Powell, de CORAÇÃO VALENTE), o ex-general consegue escapar e começa o regresso ao seu lar. Ao chegar lá, encontra sua propriedade destruída e sua família morta. O cansaço da viagem somado aos ferimentos das batalhas fazem Maximus desmaiar e só acordar quando já é um escravo. Proximo (Oliver Reed), mercador e dono de um pequeno "ringue", compra-o para que lute como gladiador. Grande estrategista e guerreiro, o "Espanhol", apelido com o qual Maximus passa a ser chamado, destaca-se dos demais e ganha a chance de combater no Coliseu de Roma.

Os "jogos" tinham sido proibidos por Marcus Aurelius cinco anos antes, mas seu filho retomou a estratégia de satisfazer a população com "pão e circo". O Coliseu que se vê na telona custou US$ 1 milhão e poderia ser ainda mais caro, não fosse a computação gráfica utilizada. Através dos efeitos especiais foram "construídos" três dos cinco andares do circo romano, e os dois mil figurantes transformaram-se em 33 mil pessoas lotando o palco das sangrentas batalhas.

GLADIADOR traz de volta, com méritos, os filmes sobre a era romana. Ridley Scott conseguiu remontar uma cidade e uma época como poucos poderiam fazer. Crowe está muito bem no papel principal e a bela Connie Nielsen (Lucilla - irmã de Commodus) dá o toque feminino que coroa as belíssimas cenas do extinto Império Romano. Seguindo a onda, novos filmes com sandálias, espadas, togas e batalhas pintaram por aí.

Spoiler Rating: 82
LBC Rating: ~

Beleza Americana


BELEZA AMERICANA ganhou cinco dos oito Oscar a que foi indicado: Melhor Ator, Fotografia, Diretor, Filme e Roteiro Adaptado.

O filme traz Kevin Spacey como Lester Burnham, patético chefe de uma típica família suburbana americana. Desprezado por sua filha Jane e sua mulher Carolyn (Annette Bening), prestes a perder o emprego, a vida de Lester começa a mudar quando conhece Angela, a provocante ninfeta amiga de sua filha.

O fascínio de Lester pela atraente loira rende cenas tão surreais quanto cômicas. E marcam o início de uma mudança no personagem. "Quando não há nada a perder, você pode arriscar tudo", diz ele. A partir deste mantra, Lester passa a buscar a felicidade que faltava na sua vida.

Auxiliado por Ricky, um jovem vizinho, Lester decide desencanar do emprego enfadonho, deixar de agradar a esposa e aproveitar a vida que lhe resta. Fuma maconha (que compra de Ricky), passa a malhar e arranja um emprego numa lanchonete fast-food, se livrando do maior número possível de preocupações. Ricky se torna muito importante também para Jane. Sustentado pelo tráfico e com o hábito de filmar tudo que o cerca, o rapaz é um verdadeiro apreciador da beleza das pequenas coisas da vida.

O filme marca a estréia no cinema do diretor teatral Sam Mendes, ganhador do Globo de Ouro 2000 e responsável pela peça "The Blue Room", cuja versão na Broadway foi estrelada por Nicole Kidman. O mérito de Mendes reside no equilíbrio das críticas contidas em BELEZA AMERICANA.

O tema tão abordado, o "american way of life", é colocado sob diversos pontos de vista; o do quarentão desapontado com sua rotina tragicômica e sem energia, o da adolescente fechada e com problemas de auto-estima, o da esposa que gosta de tudo no lugar e o do "outsider" Ricky, que rejeitou e arranjou uma alternativa para as pressões do dia-a-dia.

Com este grupo de personagens, Mendes passa a mensagem de que as coisas que mais nos incomodam são coisas bobas; ao mesmo tempo, as coisas mais bobas são as mais bonitas e importantes. De que a vida é mais do que a aparência ou o sucesso comercial. De que não podemos nos esquecer que uma rosa, um dia de sol, ou até mesmo um saco plástico dançando ao vento podem ser vistos como poesia.

Spoiler Rating: 88
LBC Rating: ~

Shakespeare Apaixonado


SHAKESPEARE APAIXONADO é um filme simpático, inteligente, com um ótimo roteiro e um elenco de apoio notável. Mas nunca mereceria ganhar sete Oscars, mesmo num ano fraco. Principalmente não poderia ser o melhor filme do ano (é um bom filme, boa diversão inteligente, mas se é o "the best" estamos mal arranjados), nem a melhor atriz (Gwyneth Paltrow - Ugh!)

Mereceu sim ganhar o de melhor roteiro original, porque a história é esperta e bem desenvolvida, a partir de uma sacada: em 1593, Shakespeare, o maior escritor de todos os tempos (realmente um gênio, em algum momento disse tudo sobre todos os assuntos, de uma sabedoria definitiva) estaria com um bloqueio artístico, não consegue mais escrever. Está trabalhando numa peça a que deu o título de Romeo e Ethel, a Filha do Pirata (que obviamente viraria depois o clássico Romeu e Julieta), mas está cheio de problemas.

O empresário deve dinheiro a todo mundo, tem um caso com mulher casada e não consegue completar o texto. A situação se complica quando Viola (Gwyneth), apaixonada por seu trabalho, resolve se passar por rapaz (na época não era permitido às mulheres pisarem no palco, e os homens faziam todos os papéis) e ele naturalmente se interessa por ela.

O texto original de Marc Norman havia sido comprado pela Universal, que o pretendia rodar com Julia Roberts e Daniel Day Lewis. Mas não o acharam comercial e a Miramax assumiu o projeto para sua amiga e afilhada Gwyneth (desde EMMA) depois de ser reescrito pelo especialista em Shakespeare, Tom Stoppard.

O resultado é uma fita cheia de referências e citações, algumas fáceis de sacar (principalmente as que se referem ao Romeu e Julieta), outras nem tanto (as que se referem a personagens daquela época, como o autor rival Marlowe). Ou seja, para curtir direito exige do espectador uma certa dose de cultura e conhecimento.

Antes de tudo, o filme é uma declaração de amor ao teatro. Tudo que se refere a ele, sua magia, encanto, dificuldades. Feita em tom de comédia romântica, bem dirigida (por John Madden, o mesmo de SUA MAJESTADE, MRS. BROWN com a mesma Dama Judi Dench, que aparece por apenas oito minutos como Rainha Elizabeth I).

Spoiler Rating: 79
LBC Rating: ~

Titanic


TITANIC, a superprodução de 200 milhões de dólares escrita, dirigida e produzida pelo canadense James Cameron bateu alguns recordes. Antes mesmo de sua premiação como o melhor filme do ano, já aparecia como a maior bilheteria de todos os tempos: 1,25 bilhão de dólares em todo o mundo. No Oscar, foram 14 indicações (mesmo número de A MALVADA, de 1950) e onze estatuetas (mesmo número de BEN-HUR em 1960 e SENHOR DOS ANÉIS em 2003), incluindo filme e diretor.

Os nove Oscars restantes foram técnicos: direção de arte, fotografia, figurino, montagem, trilha musical, canção, som, efeitos sonoros, efeitos especiais ou visuais. Hollywood então premiou a técnica de TITANIC? É verdade, mas isso não elimina de maneira alguma os méritos do filme.

TITANIC tem todos os elementos do cinemão hollywoodiano. E aqueles, inclusive, vistos em clássicos como E O VENTO LEVOU. O filme de James Cameron é, em resumo, um dramalhão romântico que mostra a paixão avassaladora e incontrolável que surge entre dois jovens de classes sociais distintas.

Leonard Maltin, um dos mais famosos críticos de cinema nos Estados Unidos, escreve sobre E O VENTO LEVOU: "A história da roteirista Margareth Mitchell é, de fato, um novelão sobre a Guerra Civil (...)". É simples entender o que Maltin quer dizer. E O VENTO LEVOU é daqueles produtos lacrimejantes, mas com uma história tão bem contada que passa longe do incômodo. "Se não o melhor filme já realizado, é certamente um dos grandes exemplos do cinema capaz de manter o interesse por quase quatro horas", afirma Maltin. É bom lembrar que TITANIC tem mais de três horas de duração.

Em ambos os filmes, desenvolve-se uma estrutura narrativa muito semelhante. E não por pura coincidência, mas simplesmente porque o cinema americano tenta seguir uma cartilha que dá certo para atingir seu objetivo - entende-se público ou, melhor, dinheiro. O esquema é assim: num primeiro momento, o par central da história parece não combinar. Existem diferenças tão grandes entre eles que seria impossível imaginá-los juntos. Como estamos falando de cinema, a arte da imaginação, vão surgindo elementos que colocam os dois frente a frente. Mais ainda, situações que tornam os personagens dependentes um do outro. E como o cinema tem por regra subverter a realidade, fazendo qualquer espectador dobrar-se diante da fantasia, tudo o que é mostrado acaba convencendo. O final desse primeiro capítulo é o casal já apaixonado, vivendo momentos inesquecíveis e que se espera eterno.

Mas como requer um bom drama, uma desgraça aparece para acabar com a felicidade. Em E O VENTO LEVOU era a Guerra Civil. Em TITANIC, um iceberg. No primeiro, americanos do sul e do norte lutam pela sobrevivência. No segundo, homens de todas as partes do mundo lutam por um lugar num bote para não ver afundar o sonho de conquistar a América.

Em TITANIC premiou-se a técnica, sim. Mas o som, os efeitos especiais e toda a pirotecnia que vemos são justificáveis. O diretor James Cameron soube, e sempre soube, utilizar a técnica a favor do desenvolvimento argumentativo e dramático. Em 1999, E O VENTO LEVOU completou 50 anos. Posso apostar que em bem menos tempo TITANIC também será lembrado como clássico e uma obra de referência histórica no cinema.

Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~

O Paciente Inglês


Indicado para doze Oscars, venceu em nove categorias, inclusive a de melhor filme. O PACIENTE INGLÊS é um daqueles filmes românticos, grandiosos, bonitos, de que todo mundo parece gostar. O curioso é que é uma produção independente de Saul Zaentz (que quase faliu ao rodar no Brasil o filme BRINCANDO NOS CAMPOS DO SENHOR, de Hector Babenco), que teve de ser salva pelo dinheiro da distribuidora Miramax. Ou seja, ninguém acreditava nele, até se tornar um sucesso. Até mesmo aqui no Brasil, onde as mulheres voltam a chorar no cinema (o que convenhamos é sempre um prazer).

Comparado com LAWRENCE DA ARÁBIA, o filme nunca procurou essa semelhança ao se passar num deserto. Inclusive, por isso é que não foi rodado em formato Scope-Wide Screen, mantendo a proporção normal mais adequada para uma história de amor onde o deserto é apenas o pano de fundo.

Vagamente inspirado em fatos reais, o livro de Michael Ondaatje (disponível nas livrarias brasileiras) se passa no Norte da África, durante a Segunda Guerra Mundial. Já começa com um velho avião bimotor caindo no deserto com um casal dentro. O sobrevivente (o inglês Ralph Fiennes) fica gravemente doente, com amnésia e seu rosto deformado pelas queimaduras, portanto irreconhecível.

Daí em diante o filme segue duas linhas narrativas, ambas tocantes e românticas. Na primeira, uma enfermeira dedicada (a francesa Juliette Binoche, vencedora do Oscar de coadjuvante e votada como melhor atriz no Festival de Berlim) procura cuidar desse paciente e se refugia numa velha igreja, onde está também um sujeito misterioso (Willien Dafoe) e sinistro, que aparentemente procura vingança. E um oficial indiano, especialista em desmontar bombas, com quem ela inicia um relacionamento romântico, muito discreto e delicado.

Aliás, toda essa parte funciona principalmente pelo encanto de Binoche, de tal forma que a seqüência mais memorável é quando ela, levada por uma corda e segurando uma vela, descobre pinturas antigas da igreja toscana. Em paralelo, fica se sabendo da outra história: aos poucos o paciente vai recordando do que sucedeu com ele, através de um livro que carrega e que vai lhe dando pistas. Ele é o Conde Laszlo de Almasy, um aristocrata que liderou uma expedição ao deserto em busca de cavernas pré-históricas, o que, portanto, lhe dá um mapa detalhado da região que será útil depois quando estourar a guerra.

Dentre o grupo, há um aviador inglês (Colin Firth) que é acompanhado por sua bela esposa (Kristin Scott Thomas, indicada também ao Oscar). Eventualmente os dois iniciarão um romance proibido e complicado, que chegará ao seu clímax quando ele faz de tudo para tentar salvar a vida dela em perigo. Se envolvendo com os alemães e tudo...

Bastante longo, o filme é impecavelmente dirigido por Anthony Minghella, um filho de italianos mas nascido na Inglaterra. Com uma excelente parte técnica, não chega nunca a cansar ou aborrecer. O único possível defeito é a frieza do protagonista Fiennes, que não é exatamente uma pessoa por quem a gente torceria ou se apaixonaria.

Spoiler Rating: 77
LBC Rating: ~

Coração Valente


CORAÇÃO VALENTE conta a vida épica do rebelde escocês do século XIII, William Wallace, que se levantou contra a tirania do rei inglês Edward I.

Foi a segunda fita dirigida por Mel Gibson e vencedora dos Oscars de Melhor Filme, Fotografia (John Toll), Direção, Maquiagem e Efeitos Sonoros.

Embora nunca tenha sido grande sucesso de bilheteria nos EUA, talvez por sua violência, é muito bem realizado, equilibrando os momentos de amor com as cenas de batalha realistas e inovadoras (foi um dos primeiros a usar efeitos digitais para aumentar o numero de figurantes).

Um filme forte e grandioso que teve uma edição em DVD valorizada por dois trailers, comentários em áudio do astro-diretor e making of ("A Filmaker´s Passion)

Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~

Forrest Gump


Filme que foi uma verdadeira surpresa no ano de sua exibição. Forrest é um garoto com problemas de QI, que recebeu muito carinho e orientação da mãe. Saindo de casa para o exército, Gump passa a fazer, sem querer, parte dos acontecimentos mais importantes de uma recente e explosiva história americana, mas sempre levando consigo os preceitos da mãe, que sempre fez questão que o filho tivesse as mesmas chances que todos, recomendando que ele nunca baixasse a cabeça ou fosse humilhado. A mãe é Sally Field num de seus melhores papéis até hoje.

Dentre muitos outros prêmios, a história levou os Oscars de Melhor filme, melhor ator para Tom Hanks (que no ano anterior vencera por FILADÉLFIA) e melhores efeitos visuais, em cenas de um ótimo Gary Sinise sem pernas (quem não conhecia o ator jurava que ele não as tinha) e de Gump interagindo com personalidades importantes da história já falecidos, como Nixon, Kennedy e John Lennon.

Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~

A Lista de Schindler


Spielberg parece ter realizado seu maior sonho com este maravilhoso A LISTA DE SCHINDLER. Não porque seja seu filme mais sério (ele já havia experimentado outro gênero senão a aventura com A COR PÚRPURA, por exemplo, filme que recebeu onze indicações ao Oscar e injustamente não recebeu nenhum). É porque se trata de um drama da qual conhece bem a história e finalmente conquistou a conservadora Academia de Hollywood.

O filme é baseado na biografia de Oskar Schindler (escrito por Thomas Keneally), um polonês que durante a Segunda Guerra Mundial salvou a vida de mais de mil judeus, empregando-os em sua fábrica, evitando assim que eles fossem para os campos de concentração de Hitler. Spielberg realizou sua obra-prima. Do roteiro à direção, a interpretação do elenco, da excelente fotografia em preto-e-branco à trilha musical, tudo é perfeito.

O filme conquistou sete dos doze Oscars a que concorreu, incluindo direção (o primeiro de Spielberg), filme, roteiro (Steven Zaillian) e fotografia (Janusz Kaminski).

Mas é um filme sobre o Holocausto. E nas ruínas da pior história do século XX, Spileberg não encontrou um final feliz, mas ao menos a afirmação de que é possível resistir ao mal e até vencê-lo. O filme começa com uma lista de judeus que estão sendo confinados num gueto. Termina com uma lista dos que conseguiram se salvar. A lista é um bem absoluto. A lista é vida. Tudo à sua volta é aterrorizador...

Spoiler Rating: 93
LBC Rating: ~

Os Imperdoáveis


Clint Eastwood esperou toda a vida para ser reconhecido pela Academia de Hollywood. O Oscar chegou tarde, mas merecidamente. E irônico, justamente produzindo e dirigindo um gênero de filme que marcou o início de sua carreira.

Rotulado por alguns como o anti-faroeste, Eastwood realiza o mais intimista dos seus trabalhos. Primeiro altera o conceito do bom e velho western: seu personagem é um matador aposentado, viúvo e que quer apenas cuidar dos filhos. Largou a bebida e não pega mais em armas.

Trata-se, assim, de um personagem mais humanizado. Principalmente porque toda a ação de que ele participa é para ajudar uma pobre e indefesa prostituta que teve o rosto retalhado.

O diretor também muda a estética do gênero: o velho oeste não vive apenas debaixo de sol quente, com a típica vegetação seca. A fotografia de Jack N. Green (o preferido de Eastwood e que com ele já trabalhou em BIRD e MUNDO PERFEITO) dá plasticidade perfeita ao filme, que evidencia as cores escuras e frias (há sequências com chuva), tudo feito de forma a caracterizar ainda mais a amargura do personagem.

Não era preciso, mas Eastwood provou que seu nome é importante para a história do cinema. OS IMPERDOÁVEIS levou os Oscars de melhor filme, direção, ator coadjuvante (Gene Hackman) e montagem.

Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~

O Silêncio dos Inocentes


Um psicopata conhecido como Buffalo Bill está sequestrando e assassinando jovens mulheres. Acreditando que um bandido pode reconhecer outro, o FBI envia a jovem agente Clarice Starling (Jodie Foster) para entrevistar e se aproximar de outro psicopata que está preso, o psiquiatra Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), um perigoso canibal que se afeiçoa a ela.

Um caso raríssimo na História do Cinema: Apenas o terceiro caso em todo o Oscar em que todos os principais prêmios foram para o mesmo filme - Melhor Roteiro, Direção, Filme, Ator e Atriz. Também o primeiro filme de Terror na História do OSCAR a ganhar o prêmio máximo. Produzido por uma firma que logo depois abriria falência, a Orion, o projeto foi primeiro desenvolvido por Gene Hackman e Michelle Pfeiffer (ambos desistiram por causa da violência).

Embora o diretor Jonathan Demme tivesse mais experiência com comédias, acertou inteiramente nesse projeto ousado e soturno, dos filmes mais angustiantes jamais realizados. Na época, a fita chegou a ser perseguida e criticada por organizações gays que a acusavam de dar uma imagem negativa deles (talvez por isso logo depois, Demme tenha feito uma fita sobre AIDS, FILADÉLFIA em 1993). Embora Hopkins apareça relativamente pouco na fita, sua presença é dominante e inesquescível.

Spoiler Rating: 86
LBC Rating: ~

7.2.08

Dança com Lobos


A primeira cena de DANÇA COM LOBOS mostra os pés de John Dunbar (Kevin Costner) em carne viva. Ouve-se a voz de alguém dizendo que devem ser amputados. Dunbar se levanta, monta seu cavalo e, num ato de heroísmo, cruza a linha de tiro que separa os soldados confederados dos civis.

Dunbar/Costner, assim, não sai de cena. Trata-se de uma referência do ator e diretor a sua pseudo participação no filme O REENCONTRO, de 1983, cuja sequência em que Costner aparecia num caixão (e apenas os pés) foi eliminada na montagem final.

DANÇA COM LOBOS foi indicado para doze categorias do Oscar e levou sete, incluindo melhor filme, roteiro e direção, a primeira de Costner. A história se passa durante a Guerra Civil Americana, quando o soldado John Dunbar é enviado a um posto avançado e lá conhece uma tribo de índios sioux, da qual acaba fazendo amizade e tornando-se um deles.

Apesar das três horas, boa parte delas falada na língua indígena, Costner realizou um filme intenso que tem todos os ingredientes de autêntico faroeste: fala de lutas, domínio do branco sobre os índios, descobertas, coragem, amizade e amor.

Além de todas as belas imagens (a caçada de búfalos é exemplar), o que chama atenção é que Costner encontrou uma narrativa em que personagem e espectador compartilham das mesmas surpresas. E elas são muitas. O diretor fez uma versão para vídeo com 237 minutos.

Spoiler Rating: 79
LBC Rating: ~

Conduzindo Miss Daisy


Atlanta, 1948. Uma rica viúva judia de 72 anos, Miss Daisy (Jessica Tandy), já não consegui dirigir como antes e joga acidentalmente o seu Packard novo em folha no premiado jardim do vizinho.

Ela se recusa a admitir o fato de que já não pode mais dirigir e por isso, quando o seu filho lhe contrata um motorista, Hoke (Morgan Freeman), ela lhe opõe uma resistência terrível. No entanto, pouco a pouco Hoke vai ganhando o seu espaço, bem como a confiança e a amizade da senhora.

O filme cobre vinte e cinco anos deste relacionamento, durante os quais os dois se ajudam, dividem sofrimentos (como o preconceito) e superam as suas diferenças. É uma história com abrangência universal, pois todos podem identificar-se com a situação retratada no filme: um parente querido vai ganhando idade e perdendo parte do discernimento, das capacidades físicas e da lucidez, exige mais compreensão e carinho e, quando o recebe, sabe retribuir com juros.

CONDUZINDO MISS DAISY é um verdadeiro poema sobre a arte de envelhecer. E a sólida atuação do elenco, sobretudo de Morgan Freeman, torna este filme imperdível.

Spoiler Rating: 84
LBC Rating: ~

Rain Man


Um vendedor ambicioso descobre no enterro de seu pai que tem um irmão mais velho e autista que vive num sanatório (e que o chama de Rain Man, porque o nome dele é Raymond), capaz de rasgos de inteligência matemática. Daí vem a idéia de levá-lo a Las Vegas para ganhar dinheiro.

Foi brilhante quem teve a idéia e quem achou que Dustin Hoffman e Tom Cruise realmente poderiam interpretar irmãos (eles são parecidos se você prestar atenção e se completam como atores).

Um filme de grande sucesso que ganhou Oscar de Filme, Direção (Levinson faz ponta como médico), Ator (o segundo para Dustin) e Roteiro Original. Acaba virando "Road Movie", mas sempre funciona (desta vez, sem restrições até mesmo para Hoffman - que com frequencia erra).

Spoiler Rating: 79
LBC Rating: ~

O Último Imperador


História de Pu Yi, O ÚLTIMO IMPERADOR da China. Orientado por um professor inglês, ele se torna virtual prisioneiro do palácio quando sai vencedora a Revolução Comunista.

Superespetáculo que ganhou nove Oscars, incluindo melhor Filme, Diretor, Roteiro, Fotografia, Direção de Arte, Edição, Figurino, Trilha Musical e Som. Foi o primeiro filme Ocidental a ter permissão para ser rodado na chamada Cidade Proibida, o Palácio Imperial (até mesmo porque o italiano Bertolucci sempre teve suas tendências comunistas).

A edição nacional em DVD, anuncia-se tradicional (a cópia é ruim), mas a americana é a chamada Director´s Cut, com cerca de uma hora a mais de projeção, cenas que ele teve de cortar (a pedido da Columbia que distribuiu o filme originalmente). São cenas que expandem detalhes do herói com sua ama e servem para explorar melhor a explêndida fotografia de Vitorio Storaro (que tem certas cores predominantes conforme o momento), e que tornam o filme mais lento, mas como nunca foi visto assim no cinema é uma curiosidade.

Spoiler Rating: 88
LBC Rating: ~
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